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A DOR QUE MINHA
ALMA SENTE...
A dor que minha alma sente... Não a saiba toda gente...
Que estranho caso de amor...
Que desejado tormento...
Que venho a ser avarento, das dores da minha dor!
Por me não tratar pior,
se se sabe ou se se sente, não a digo a toda gente!
Minha dor e a causa dela,
A ninguém ouso fiar,
Que seria aventurar, a perder-me ou perde-la,
pois só em padece-la
a minha alma esta contente.
Viva no peito escondida... Dentro da alma sepultada...
De mim só seja chorada...
De ninguém seja sentida... Ou me mate...ou me dê vida...
Ou viva eu triste ou contente, não quero que o saiba a gente!
(Camões)
AMIZADE VERDADEIRA
Houve tempos em que precisei chorar, e você me consolou...
Houve tempos em que eu sorri,
e você sorriu comigo...
Houve tempos em que briguei e questionei, e você me apoiou...
Houve tempos em que sonhei, lutei, acreditei e vivi intensamente muitas emoções...
E você, com sua amizade verdadeira, esteve ao meu lado, enfrentando todos os obstáculos,
acreditando em mim e em meus ideais...
Houve tempos em que me senti só, mas como um presente maravilhoso de Deus,
você surgiu em minha vida, com seu jeito especial e sua amizade verdadeira...
E hoje, não mais estou só,
porque tenho você...
I N S T A N T E S
Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer
mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais. Seria mais tolo
ainda do que tenho sido,
na verdade poucas coisas levaria a sério. Seria
menos higiênico.
Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais
entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvetes e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas
pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida:
claro que
tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter
somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feita a vida, só de
momentos, não percam o agora.
Eu era um desses que nunca iria a parte alguma
sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas:
se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria
a andar descalço no começo da
primavera e continuaria assim até o fim do
outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e
brincaria com mais
crianças se tivesse outra vez vida pela frente. Mas, sei
que estou morrendo.
- Herbert de Souza (Betinho)