FIBROSE CÍSTICA
FISIOPATOLOGIA
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MUTAÇÃO GÊNICA
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ALTERAÇÃO NA SÍNTESE
DA PROTEÍNA CFTR
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ALTERAÇÃO NO TRANSPORTE
DE ÍONS NA MEMBRANA CELULAR
DE GLÂNDULAS EXÓCRINAS
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SECREÇÃO ESPESSA
MUCO VISCOSO
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PIORA DO CLEARANCE PULMONAR,
ROLHAS DE MUCO, OBSTRUÇÃO
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INFECÇÃO PULMONAR
INFLAMAÇÃO
BRONQUECTASIAS
Entre os pacientes com FC, 85 a 90% têm insuficiência pancreática, ou seja, o pâncreas não produz enzimas em quantidade suficiente, necessárias para o processo de digestão dos alimentos. A presença de CFTR (proteína reguladora transmembrana) em pequena quantidade ocasiona uma diminuição do fluxo nos ductos pancreáticos e secreções com aumento de proteínas, que precipitam e provocam obstrução dos ductos. Secundário à obstrução dos ductos ocorre diminuição da secreção de enzimas pancreáticas, o que determina má digestão e absorção dos alimentos e esteatorréia. A função pancreática residual nestes pacientes é inferior a 2%.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Respiratórias
Doença sinuso-pulmonar crônica com as seguintes manifestações:
a) Colonização/infecção com bactérias típicas que incluem
Staphylococcus aureus, Haemophilus influenzae, Pseudomonas
aeruginosa formas mucóide e não mucóide e Burkholderia cepacia;
b) Tosse crônica e produção de escarro;
c) Alterações radiográficas persistentes (bronquectasias,
atelectasias, infiltrados e hiperinsuflação;
d) Obstrução ao fluxo aéreo que se manifesta por sibilância e
aprisionamento de ar;
e) Polipose nasal; alterações radiográficas ou à tomografia dos
seios paranasais;
f) Baqueteamento ou hipocratismo digital.
Embora a FC seja uma doença que envolve as células epiteliais de
múltiplos órgãos, é o sistema respiratório o responsável por
mais de 90% dos casos de morbi-mortalidade. A maioria das
manifestações clínicas ocorre no primeiro ano de vida. A
manifestação é de bronquite crônica mas a FC pode apresentar-se
com sibilância, taquipnéia, quadro similar ao de bronquiolite ou
de asma.
Gastrointestinais
A insuficiência pancreática está presente em 85 a 90% dos
pacientes com FC.
Alterações nutricionais e gastrointestinais podem ter a seguinte
apresentação:
a) Intestinal: íleo meconial, síndrome da obstrução intestinal
distal, prolapso retal;
b) Pancreáticas: insuficiência pancreática, pancreatite
recorrente;
c) Hepáticas: doença hepática crônica que se manifesta por
evidencia clínica ou histológica de cirrose biliar focal ou
multilobular;
d) Nutricional : deficiência de crescimento (desnutrição
protéico-calórica, hipoproteinemia e edema; complicações
secundárias à deficiência de vitaminas lipo-solúveis).
DIAGNÓSTICO
Critérios Diagnósticos para FC
Presença de uma ou mais características clínicas e/ou
história familiar de FC e/ou teste de triagem neonatal (teste do
pezinho positivo para a imunotripsina reativa - IRT)
Associado à
Evidência de anormalidade do CFTR:
Teste do suor (Cloro/Sódio ? 60mEq/L) ou
Presença de duas mutações características (estudo genético) ou
Diferença de potencial nasal alterada.
Teste de triagem neonatal ou testes do pezinho (pesquisa de IRT)
O teste do pezinho é apenas um teste de triagem para FC. Na
presença de um ou, preferencialmente, dois exames alterados no
primeiro mês de vida, deve ser realizado o teste do suor ou
pesquisa no DNA (ácido desoxirribonucléico) das mutações para
FC. O teste do suor está alterado em 98% dos pacientes com FC.
Isso significa que é possível ter FC com teste do suor normal,
porém em apenas 2% dos casos. Uma outra forma de confirmar o
diagnóstico é a pesquisa das mutações (genes) responsáveis pela
FC. Vale lembrar que já estão descritas mais de 1000 mutações.
Para confirmação diagnóstica é necessário o encontro de duas
delas. A presença de apenas uma mutação não confirma, tampouco
exclui o diagnóstico de FC.
Considerações sobre o teste do suor:
a) São necessários dois exames alterados em dias diferentes,
associados às manifestações clínicas, para confirmação;
b) A dosagem de cloro é a mais indicada;
c) A única técnica do teste do suor aceita é a descrita por
Gibson e Cooke (iontoforese por pilocarpina). Outras técnicas
não devem ser aceitas como diagnóstico até o momento.
d) O peso do suor deve ser de pelo menos 50mg. O ideal é acima
de 100mg.
e) Valores de cloro/sódio acima de 60 mEq/L são considerados
positivos. Lembrar que, em adolescentes e adultos, esses valores
podem ser mais altos e, para diagnóstico, são considerados
valores acima de 80 mEq/L.
f) Existem outras doenças que podem ocasionar resultados falso
positivos e falso negativos.
g) O suor pode ser colhido de qualquer parte do corpo. Em
recém-nascidos, após 48 horas de vida. O tempo de colheita não
deve ser superior a 30 minutos.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Asma brônquica, bronquiolite viral aguda, bronquiolite obliterante, refluxo gastro-esofágico, tuberculose, AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), discinesia ciliar, imunodeficiências congênitas, displasia broncopulmonar.
TRATAMENTO
Nutrição
A dieta para pacientes com FC deve ser livre, sem restrição de
gorduras, devido ao seu grande valor calórico, e com acréscimo
de sal. As recomendações variam de 120 a 150% do RDA
(recomendações diárias) para uma criança do mesmo sexo e idade.
Se o paciente não consegue ingerir as calorias alimentares
suficientes, deve-se indicar suplementos alimentares orais. A
suplementação nutricional pode ser feita com auxílio de
suplementos comerciais disponíveis, com sabores e concentrações
calóricas variadas. Para aqueles com dificuldade de ingestão
oral, a suplementação por sonda nasogástrica ou gastrostomia
pode ser uma opção. O tratamento nutricional intenso pode
estabilizar e melhorar a função pulmonar.
Sangramento associado à pró-trombina baixa e deficiência de
fatores de coagulação (II, VII, IX, X) pode ocorrer em
lactentes, secundário à deficiência de vitamina K. Em pacientes
que recebem suplementação adequada de enzimas, a deficiência de
vitamina K é rara. A dose média diária de vitamina E é de 5 a 10
UI/kg/dia, no máximo 400 UI/dia.
Pacientes com fibrose cística deveriam receber suplementação
diária de vitaminas A, B, C, D, E, K e minerais como zinco e
ferro.
ENZIMAS
As enzimas pancreáticas - lipases, amilases e proteases - devem ser utilizadas em pacientes com insuficiência pancreática pois apresentam alteração na digestão e absorção de macro e micronutrientes. São disponíveis em pó e microesferas, sendo estas mais efetivas. A quantidade de enzimas necessárias para cada refeição depende da função residual do pâncreas, bem como da quantidade de gordura em cada refeição. O uso de enzimas não deve ultrapassar 10.000U/kg/dia, uma vez que foram relatados casos de colonopatia fibrosante.
TRATAMENTO DA DOENÇA PULMONAR
As complicações pulmonares respondem por 95% da
morbi-mortalidade em pacientes com fibrose cística. A grande
maioria dos novos tratamentos tem enfocado o pulmão. Quatro
formas de condutas são adotadas para as manifestações pulmonares
da fibrose cística:
a) Melhorar o clearance da via aérea;
b) Fluidificar as secreções;
c) Tratamento das infecções;
d) Reduzir as infecções e as exacerbações.
• FISIOTERAPIA: Várias técnicas de fisioterapia estão
disponíveis atualmente. O método com o qual o paciente melhor se
adapta parece ser o fator mais importante na hora de escolher
qual deles utilizar.
• FLUIDIFICANTES: A principal característica da FC é a produção
de grandes volumes de secreção espessa nas vias aéreas. Essa
secreção contém neutrófilos que liberam seu DNA, de igual forma
às bactérias, aumentando a viscosidade do escarro. O uso de
DNase (Pulmozyme?) quebra essas moléculas de DNA, fluidifica as
secreções e melhora a função pulmonar.
• BRONCODILATADORES: Em geral, os broncodilatadores são
benéficos em pacientes com FC, principalmente para aqueles que
têm resposta broncodilatadora evidente em provas de função
pulmonar.
• ANTIBIÓTICOS: Considerando que 80% dos pacientes com fibrose
cística são colonizados por Pseudomonas aeruginosa, antibióticos
aminoglicosídeos têm sido extensivamente usados nesta população
de pacientes. Assim, o FDA recentemente aprovou a
comercialização de Tobramicina inalatória (TOBI), especialmente
formulada para uso inalatório, em pacientes com fibrose cística
e infecções de via aérea por Pseudomonas. Outros
aminoglicosídeos como gentamicina, amicacina e tobramicina
também são utilizados de forma inalatória.
O principal tratamento pulmonar na fibrose cística é a
fisioterapia e antibioticoterapia. Até o momento, é consenso que
antibióticos deveriam ser usados nos episódios de exacerbação
pulmonar ( tosse, secreção, febre, tolerância ao exercício,
função pulmonar, saturação de O2. Os antibióticos deveriam ser
usados por, no mínimo, 2 semanas, de acordo com os resultados de
cultura e antibiograma. Alguns autores preconizam o uso regular
de antibióticos, independente da condição clínica do paciente.
O tratamento da doença pulmonar deve manter uma seqüência
adequada:
1. Inalação de beta adrenérgicos;
2. Inalação de solução salina hipertônica;
3. Inalação de Pulmozyme;
4. Fisioterapia;
5. Inalação de antibióticos;
6. Inalação de corticóides ou cromoglicato.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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