Câncer é um conjunto de doenças, nas quais existe uma multiplicação anormal de células doentes.
Às vezes as células continuam tendo uma aparência normal e ficam só no lugar onde nasceram. Dizemos, então, que existe um tumores "benigno".
Quando as células têm aparência diferente do normal, multiplicam-se muito e têm a capacidade de produzir metástases, ou seja, de espalhar-se por várias partes do corpo, dizemos que existe um tumor "maligno" ou câncer. Apesar do câncer ser raro em crianças, depois de acidentes e de doenças infecciosas, o câncer é a causa de morte mais frequente! Câncer não é contagioso. Na maior parte dos casos, não se sabe porque uma criança desenvolveu um tumor. Sabemos que, em geral, as crianças não herdam e nem nascem com câncer.


 

Leucemias (33%)

Tumores do sistema nervoso central (20%)

Os linfomas (12%)

Neuroblastoma (8%)

Tumor de Wilms, dos rins (6%)

Tumores de partes moles (6%)

Tumores dos ossos

(5%)

Retinoblastoma, nos olhos (3%)

Doença de Hodgkin

Histiocitose

Tumores germinativos

LEUCEMIA

É o câncer mais comum na infância. Leucemias têm origem na medula óssea, o tutano dos ossos, onde é normalmente produzido o sangue. Manifesta-se com dor nos ossos ou nas articulações, palidez, manchas roxas, sangramentos, febre, abatimento, etc.
A leucemia é diagnosticada através do mielograma, exame do sangue de dentro do osso. Existem vários tipos de leucemia: leucemia linfóide aguda (LLA), leucemia mielóide aguda (LMA), leucemia mielóide crônica (LMA) e leucemia linfóide crônica (LLC - só existe em adultos)
Além da medula óssea, as leucemias podem também acometer os testículos, fazendo com que fiquem mais duros e o líquor, líquido da espinha, provocando dores de cabeça e vômitos. As leucemias podem ter índices de cura de até 80% quando tratadas com quimioterapia. Em alguns casos, pode-se indicar também radioterapia e transplante de medula.

TUMORES DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

Os tumores do sistema nervoso central, cérebro e cerebelo, são os tumores sólidos (que não leucemias) mais frequentes em crianças.
Os sintomas mais comuns são dor de cabeça e vômitos pela manhã, tontura, perda do equilíbrio.
Qualquer criança com persistência destes sintomas deve ser examinada por médico neurologista, além de realizar tomografia ou ressonância nuclear magnética do crânio. O diagnóstico do tipo exato de tumor é feito durante a cirurgia. Os tumores benignos são tratados apenas com cirurgia. Para os tumores malignos são, em geral, necessários quimioterapia e radioterapia.

NEUROBLASTOMA

Ocorre geralmente em crianças com menos de 5 anos. Os locais mais frequentes são abdome, tórax e pescoço, perto da coluna vertebral.
Pode afetar o fígado, ossos e medula óssea. Todos os tumores do abdome podem ser confundidos com verminose. Se a criança tem aumento da barriga que não melhora, deve-se procurar um médico para avaliação.
Os tumores que crescem próximos da coluna vertebral podem causar fraqueza nas pernas, dor e perda do controle da eliminação de fezes e urina. Se o tratamento não for iniciado a tempo, a criança pode ficar com paralisia definitiva.
Para se diagnosticar o neuroblastoma é, em geral, necessário realizar uma biópsia do tumor, ou seja, retirar um pedaço pequeno através de cirurgia, para que um médico patologista possa ver o tumor no microscópio. Os neuroblastomas são tratados com cirurgia e quimioterapia. Em alguns casos, indica-se radioterapia e transplante de medula.

RETINOBLASTOMA

Afeta os olhos e geralmente ocorre antes dos 4 anos de idade. A principal manifestação é um reflexo brilhante no olho acometido, parecido com o brilho que apresentam os olhos de um gato quando se ilumina os seus olhos à noite.
As crianças podem ainda ficar estrábicas (vesgas), ter dor nos olhos ou perder a visão. Alguns retinoblastomas são hereditários. Se outras pessoas da família já tiveram o tumor, as crianças tem que ser examinadas por um oftalmologista experiente desde que nascem para que o diagnóstico seja o mais precoce possível.
Os retinoblastomas são diagnosticados por médicos experientes através do exame do fundo de olho, com a pupila bem dilatada. Em geral, não se deve realizar biópsias. Os tumores pequenos podem ser tratados com métodos especiais que permitem que a criança continue a enxergar normalmente. Nos casos adiantados, o olho pode precisar ser retirado e a criança pode precisar de quimioterapia e/ou radioterapia.

SARCOMAS DE PARTES MOLES

São tumores que podem ocorrer em músculos, gordura e articulações. Afetam tanto crianças quanto adolescentes e adultos. Existe um aumento progressivo, inchaço no local do tumor e, em geral , existe dor e a pele pode ficar vermelha.
Os sarcomas podem ocorrer na cabeça, pescoço, área genital, braços e pernas. Em adolescentes, pode localizar-se na região dos testículos, provocando aumento do escroto, confundindo-se com hérnias. O paciente não pode ter vergonha de contar seu problema ao médico!
Para diagnosticar os sarcomas é muito importante que um médico experiente em câncer realize um biópsia para exame do tumor no microscópio. O tratamento dos sarcomas é feito, em geral, com cirurgia e quimioterapia.

TUMORES  ÓSSEOS

São mais frequentes em adolescentes. Quase sempre a criança tem uma batida, que causa dor, mas a dor não vai embora. O local mais frequente é logo acima ou logo abaixo do joelho. A pele pode ficar vermelha e quente e, quando o tumor cresce, podemos ver também inchaço no local.
Estes sintomas podem ser confundidos principalmente com infecções. Para se fazer o diagnóstico, é importante fazer raio-X do local doloroso e um médico ortopedista com bastante experiência em câncer deve realizar uma biópsia.
Os tipos mais comuns de tumores ósseos malignos são osteossarcoma e tumor de Ewing. O tratamento é feito com cirurgia e quimioterapia. O diagnóstico precoce aumenta as chances de cura para até 60-70%.

TUMOR  DE  WILMS

É um tumor freqüente na infância, geralmente antes dos 5 anos. O tumor de Wilms nasce nos rins, manifestando-se como uma massa no abdome.
A criança pode ainda apresentar sangue na urina, dores abdominais, pressão alta. O exame mais indicado para o diagnóstico é o ultra-som. O tratamento é cirurgia, retirando-se o rim comprometido, seguido em geral de quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia. A cura está estimada em torno de 90% dos casos.

LINFOMA NÃO HODGKIN

Mais freqüentemente no sexo masculino, ocorre principalmente entre os 4 e 8 anos e idade. Atinge qualquer parte do corpo, principalmente tórax e abdome.
Às vezes, o linfoma causa parada de evacuações e dor na barriga, sendo diagnosticado na cirurgia. Aumento do volume da barriga, vômito, cólicas, tosse ou falta de ar são os sinais precoces mais comuns. O diagnóstico dos linfomas depende de biópsia do tumor.
O tratamento é feito com quimioterapia e não retirada cirúrgica do tumor. Quando diagnosticado precocemente, os índices de cura são de 80%.

DOENÇA DE HODGKIN

É um tumor que acomete gânglios e baço. A maioria dos casos começa com adenomegalias, "ínguas" que vão crescendo no pescoço, nas axilas ou região inguinal.
A criança pode apresentar febre prolongada e perda de peso. O diagnóstico da doença de Hodgkin é feito através de biópsia de um gânglio aumentado de tamanho. O tratamento é feito com quimioterapia e radioterapia. Hoje, em cada 100 crianças tratadas adequadamente, 85 ficam completamente curadas.

TUMORES GERMINATIVOS

São tumores do ovário ou testículos, raros na infância. Os tumores de ovário podem causar dores abdominais, geralmente crônicas, puberdade precoce (crescimento dos seios e aparecimento de pelos antes do tempo) e tumorações palpáveis.
Os meninos com testículos que não desceram para a bolsa escrotal devem ser vigiados com ultra-som, pois a incidência de câncer é 20 a 40 vezes maior nesses casos. O sinal de alerta é o aumento da bolsa escrotal, confundido muitas vezes com hérnia. O diagnóstico é feito na cirurgia em que se retira o tumor.
Nos meninos, é importante que a cirurgia seja realizada pela barriga e não abrindo-se o escroto. O tratamento é realizado com cirurgia e quimioterapia.

HISTIOCITOSE

A histiocitose é uma doença tratada por oncologistas apesar de não ser câncer, pois muitas vezes as crianças precisam de quimioterapia para melhorar.
Pode-se apresentar como uma dermatite seborréica de difícil tratamento, otite supurativa crônica, lesões na pele, fígado e baço aumentados, lesões nos ossos, anemia.