POR QUE A DOR DE CABEÇA?

Sexo, muito sono e comida saudável. Tudo isso parece bom, e é. Mas, em alguns casos, ter um orgasmo explosivo, exagerar em certos alimentos integrais e passar tempo demais na cama também pode provocar dor de cabeça. Antes de tomar o próximo analgésico, descubra qual é a causa da sua dor: muitas vezes, o que parece solução é, na verdade, a origem do problema.

 

Todo mundo já teve pelo menos uma vez na vida. Porque bebeu uma taça de vinho a mais, não comeu direito ou exagerou na noitada. Essa, em geral, é uma dor de cabeça leve, que cede com qualquer analgésico e aparece só de vez em quando -por isso, é chamada de episódica. O nome muda para dor tensional crônica quando o problema bate ponto todos os dias: apesar de ser bem menos forte que a enxaqueca, essa dor incomoda muito porque é constante. Já a enxaqueca, talvez a mais famosa das dores de cabeça, não é a mais comum entre os mais de 300 tipos catalogados pelos médicos.

Muitas vezes, a dor de cabeça não é a personagem principal, mas sintoma de outro problema: uma infecção, tensões musculares, problemas de visão, alterações de pressão ou até doenças graves, como um aneurisma.

Na prática, há pessoas mais predispostas à dor e isso tem a ver com uma disfunção química cerebral. A partir daí, basta ingerir determinado alimento, ficar menstruada ou sofrer um estresse para desencadear o processo. Mas, além desses gatilhos comuns, existem outros, não tão conhecidos, e que também detonam o problema.

Analgésicos

O mesmo medicamento que combate a dor pode fazer com que ela piore. Sim, porque tomar remédios mais do que duas vezes por semana acaba aumentando a freqüência e a intensidade das dores de cabeça. É o efeito rebote. "O cérebro produz endorfina, que é um analgésico natural. Mas, se a pessoa abusa dos remédios, o organismo se acomoda, pára de produzir essa substância e passa a solicitar cada vez mais analgésicos. Essa solicitação vem em forma de dor de cabeça", explica a neurologista Célia Roesler, coordenadora do departamento de Cefaléia da Academia Brasileira de Neurologia. Isso significa que, quanto mais analgésico a pessoa toma, mais dor de cabeça ela vai ter. O ciclo vicioso dor-remédio-mais dor conduz à cefaléia crônica e, nesses casos, a única saída é desintoxicar o corpo. "Vai ser preciso suportar a dor durante um período, sem ajuda de remédios, até que o organismo volte a produzir endorfinas", diz Célia.

Segundo Mario Peres, neurologista do hospital Albert Einstein, em São Paulo, os analgésicos caem bem quando a dor de cabeça é esporádica: quem sente todos os dias ou tem quatro ou mais crises por mês deve procurar um especialista para tentar um tratamento preventivo.

Sexo

Depois do orgasmo, a idéia é relaxar. Mas, paradoxalmente, algumas pessoas são surpreendidas por uma tremenda dor de cabeça. "A liberação de óxido nítrico e substâncias inflamatórias durante o orgasmo pode ser uma das causas", explica Mario Peres, que também dirige o Centro de Cefaléia São Paulo. Em outros casos, é a contração muscular provocada por certas posturas que detona uma crise de dor. Na maior parte das vezes, porém, a cefaléia da atividade sexual costuma estar ligada ao esforço. "O mesmo pode acontecer depois de um forte acesso de tosse", explica Peres.

Mais comum nos homens, essa dor de cabeça pode, num primeiro momento, fazer com que o médico sugira um exame de imagem. "Não é comum, mas uma cefaléia de esforço pode ter relação com um tumor, que provoca aumento da pressão intracraniana", diz a médica.

Alimentos saudáveis

Quem tem já sabe que chocolate, aspartame, embutidos, molhos vermelhos, frituras e gorduras são bons temperos para a dor de cabeça. Mas isso também vale para alguns alimentos integrais: feijões, lentilhas, leveduras e tudo o que contém tiramina, como frutas cítricas, queijos amarelos e iogurte estão diretamente associados à dor de cabeça, especialmente à enxaqueca.

Outro ingrediente venenoso é o glutamatomonosódico, contido no shoyu, nas sopas de pacotinho e em muitos temperos prontos. "A intolerância aos alimentos varia de pessoa para pessoa", explica Célia. Há quem tenha dores de cabeça comendo melancia. "A fruta contém nitrito, a mesma substância usada no corante de salames, mortadela e presunto".

Pílula

Dor de cabeça com data marcada - a que anuncia a menstruação - nem sempre é sinal de TPM (tensão pré-menstrual). Muitas vezes, a causa é o estrógeno contido na fórmula do anticoncepcional.

Muitas horas de sono

Ficar mais tempo na cama nem sempre é o melhor jeito de se recuperar da balada da noite anterior. Em vez de alívio, essas horas extras de descanso trazem dor de cabeça. "Quem já sofre com o problema deve evitar dormir demais ou mudar drasticamente os padrões de sono", explica o neurologista Mario Peres. A melhor estratégia, aqui, é levantar e encarar o dia num ritmo bem tranqüilo e com muita água.

Ansiedade

Outro gatilho comum é o fator emocional. "Pessoas que têm alto grau de exigência ou que concentram tarefas ou, ainda, muito ansiosas costumam ter enxaqueca", diz o neurologista. Nesses casos, o medo de ter dor leva a pessoa a tomar o analgésico antes da crise -medicamento que, pelo uso abusivo, acaba provocando mais dor. Mas qual é a verdadeira causa: o analgésico ou a ansiedade? A partir dessa pergunta, a equipe do hospital Albert Einstein, de São Paulo, realizou um estudo demonstrando que a presença de fobias e de altos níveis de ansiedade estão por trás do uso excessivo de analgésicos -e que isso, talvez, seja a verdadeira razão da dor de cabeça. "Há um estudo feito na Inglaterra demonstrando que pacientes com artrite reumatóide, que tomam analgésicos diariamente, não têm dor de cabeça. Por quê? A resposta é simples: essas pessoas não temem a dor de cabeça", explica Mario Peres.

Mapa da DOR

Em muitos casos, dá para identificar a origem da dor dependendo da sua localização. Se a sensação é de que uma faixa está apertando a testa, a culpa provavelmente é da tensão. Já a enxaqueca se caracteriza por uma dor latejante, concentrada num único lado, ou intensa, na parte frontal da cabeça. Quando o problema se instala nos ossos da face ou em torno do nariz, pode ser sinal de sinusite.

CAFEÍNA: remédio e veneno

A cabeça dói depois de um jejum, de excesso de álcool -especialmente vinho tinto- ou de cafeína. Na dose certa, esse ingrediente tem ação analgésica e até entra na fórmula de medicamentos antidor. Mas consumir mais do que 200 mg de cafeína -o equivalente a três expressos ou seis cafezinhos coados ou, ainda, cinco latas de Coca-cola - predispõe a maioria das pessoas à dor de cabeça.

a estratégia é manter a ROTINA...

... no sono - Mantenha um padrão regular, tentando ir para a cama e levantar sempre no mesmo horário.

... na academia Pratique exercícios aeróbicos durante 30 minutos pelo menos três vezes por semana.

... à mesa Ficar em jejum é proibido. Nunca pule refeições e capriche especialmente no café-da-manhã, com um menu saudável e completo.

... em um diário Anote a data do início da menstruação e todos os itens que não são comuns no seu dia-a-dia -se exagerou no cafezinho, se comeu algo diferente, se passou por uma situação estressante. Essas informações vão sinalizar quais são os gatilhos associados à dor de cabeça, ajudando o médico a indicar o tratamento mais adequado para o seu caso.

... para relaxar No dia-a-dia, diminua o ritmo, falando devagar, respirando profundamente ou visualizando imagens ou pessoas associadas a coisas agradáveis. Além disso, faça yoga, tai-chi, meditação ou qualquer outra prática relaxante.

Revista Marie Claire