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MOEDAS DO
MUNDO
Quando a divisão social do
trabalho ainda não havia atingido grandes proporções e as sociedades eram
menores, os homens podiam trocar diretamente sua mercadoria por outra de
que necessitassem. Assim, se alguém tinha lã e precisava de couro,
procurava quem possuísse couro e quisesse trocá-lo por lã. Como a
possibilidade de troca dependia do grau de utilidade da mercadoria para
cada pessoa, as trocas tornavam-se mais difíceis com o crescimento das
comunidades. Era preciso encontrar um meio de troca, uma mercadoria que
fosse aceita por todos. Esse meio de troca é a moeda.
Para que uma mercadoria
seja aceita como moeda é preciso que haja um acordo entre os participantes
do mercado. Conchas, peles, sal, gado, cereais, metais, serviram como
moeda em épocas diferentes. Sempre que uma mercadoria passava a ter valor
de dinheiro, sua Procura aumentava. Ela devia ser acumulada para pagar
dívidas, salários, etc. Por isso devia ter certas características físicas,
como não se deteriorar e ser fácil de transportar e dividir. Dentre todas
as mercadorias-moeda usadas, o ouro e a prata foram as que melhor se
prestaram a essa finalidade.
Durante muito tempo os
metais preciosos foram usados como meio de troca em forma de barras,
lingotes, ou em pó, sem nenhum controle exterior ao dos participantes do
mercado. Em épocas que variaram para cada sociedade, o Estado passou a
afixar seu selo na unidade monetária, de modo a torná-la oficial. Essa
prática - a cunhagem da moeda - evitava sua falsificação. O primeiro povo
a usar moedas cunhadas foram os lídios, da Ásia Menor, por volta do século
VII a.C. Mas, segundo alguns autores, os chineses teriam utilizado moedas
em tempos anteriores. As moedas primitivas tinham formas irregulares e
eram cunhadas com estampas rústicas. Em certo período de sua história, os
chineses adaptavam a forma de suas moedas à mercadoria que precisava ser
comprada. Assim, a moeda destinada a comprar roupa era cunhada com a forma
do corpo humano.
Até recentemente, o valor
da moeda dependia do valor do metal de que era feita. Atualmente, a
maioria dos países usa moedas nominais: elas trazem estampado no metal seu
valor e este não equivale ao valor do metal de que são feitas. Mas o
governo garante seu valor de troca.
As moedas de metal são
hoje substituídas, em grande escala, pelo papel-moeda, mais fácil de se
carregar. Os pagamentos podem ser feitos também com cheques, emitidos por
bancos autorizados pelo governo. As pessoas depositam o dinheiro de que
não necessitam imediatamente nos bancos e, através de cheques, podem
efetuar pagamentos ou retirar seu dinheiro.
Atualmente o uso das
moedas é controlado pelo governo de cada país. Cabe-lhe decidir qual a
unidade básica de moeda em circulação, que papel-moeda deve ser feito e
que metal deve ser empregado para fabricar moedas. O valor nominal da
moeda está relacionado ao seu valor de compra. O seu valor real depende da
quantidade de mercadoria que pode ser comprada com ela. Se esse valor real
cai, isto é, se a quantidade de mercadorias que se compra com ela é menor
do que em tempos normais, diz-se que há inflação.
Enciclopédia
do estudante – volume 3 – páginas 925/926 – Abril Cultural
Mercadoria que serve de
equivalente geral para todas as mercadorias. Bem de troca aceito numa
comunidade de pagamentos. Reserva de valor. Ligação entre o presente e o
futuro.
Esta série de definições
reflete a dificuldade em conceituar a "moeda" (do latim, moneta) ou
seu sinônimo "dinheiro” (da expressão denarius, uma das
moedas romanas).
A moeda desempenha várias
funções na economia de um país: instrumento de troca, reserva de valor,
medida comum do calor dos bens, padrão de pagamentos futuros. Seu
aparecimento foi uma conseqüência do desenvolvimento do fenômeno da troca
ou permuta de bens e serviços.
Do boi ao ouro
Antes que a moeda
aparecesse. os povos escolhiam, para suas transações comerciais, produtos
naturais ou fabricados que lhes eram familiares: assim, serviam de
dinheiro as peles de animais entre os caçadores, peixe entre os pecadores,
produtos da terra entre os agricultores. Na "Ilíada" de Homero é citado o
boi como moeda da época: século VIII a.C. E foi do gado (em latim, pecus)
que vieram as palavras pecúnia e pecúlio.
Quando se tornou
necessário adotar um instrumento de troca menos perecível e menos volumoso
que as mercadorias e objetos de uso Pensou-se logo num artigo apreciado
por todos. Assim o ouro passou a ser o metal monetário por excelência,
embora outros também tivessem curdo como moeda: a prata o cobre, o níquel,
etc.
Essas moedas eram, de
início unidades de peso. Tinham a forma de barras irregulares e, para
serem utilizadas nas transações, não dispensavam a balança. Muitas das
moedas atuais lembram essa particularidade no próprio nome. libra, peso,
peseta...
Alguns comerciantes,
entretanto para evitar o trabalho de pesagem, começaram gravar nas barras
as suas marcas e o peso de cada uma, de tal modo que pudessem ser
reconhecidas e recebidas em confiança. Essa origem da moeda Fiduciária, ou
dinheiro de confiança, como diz a palavra fiduciária (confiança). As
Falsificações no peso marcado levaram as autoridades a fazer a moeda em
forma de discos cunhados dos lados e em toda a superfície. A cunhagem da
moeda pelo Estada data provavelmente do século VII a.C., mas não se sabe a
quem atribuir essa iniciativa. Talvez a Giges, rei da Lídia -
grande,reino da Ásia Menor.
Do ouro ao papel
Aos poucos a moeda oficial
se expandiu por toda parte e, no século III a.C., era de uso corrente em
todo o mundo o civilizado. Mais tarde os primeiros grandes comerciantes -
especialmente os grandes ourives da Idade Média - e também os primeiros
banqueiros passaram a fornecer um bilhete (ou recibo) às pessoas que
depositavam valores e moedas de ouro em seus cofres. Com o tempo, notaram
que esses bilhetes circulavam livremente. Quase ninguém retirava o ouro
depositado. Surgiram então outros bilhetes que emitidos como promessa de
pagamento, pois podiam ser trocados por ouro quando desejasse seu
possuidor. A esse recibo conversível se dá o nome de moeda-papel.
Muitos banqueiros, porém,
abusando da confiança e raciocinando que não era necessário ter 100% da
reserva em ouro passaram a emitir em quantidade, de sorte que os bilhetes
não mais ofereciam garantia de conversão em ouro. Essa nota desvalorizada
chama-se modernamente de papel-moeda, cuja circulação e aceitação são
asseguradas por lei. Possui, pois, um valor legal, sem qualquer direito de
conversibilidade em metal.
A teoria econômica
distingue, portanto, em resumo, dois tipos de moedas:
1. Moeda metálica: moedas
de ouro ou prata (ou moeda-mercadoria); e moedas
divisionárias (ou moedas
de troco).
2. Moeda fiduciária:
moeda-papel (ou bilhete de banco), conversível em metal; moeda escritural
(ou moeda bancária), constituída por cheques, ordens de pagamentos,
títulos de crédito, etc.
O valor da moeda está em
relação com a quantidade de bens e serviços que ela pode pagar, uma vez
que os valores monetários não são mais medidos pelo padrão-ouro. Eis
algumas das moedas do mundo:
Libra esterlina.
É a moeda inglesa que, ao contrário das outras, não seguia o sistema
decimal até 1970, ano em que passou a ser dividida em cents, ao invés de
20 xelins (shillings) e 12 pence (Plural de penny). Provavelmente, a
primeira cunhagem de libras esterlinas remonta ao reinado de Ricardo II,
em 1190. A palavra "esterlina" vem de steora ou star (estrela), ou talvez
do nome da família Esterlings, habilidosos na cunhagem de ouro.
Dólar.
É a moeda norte-americana, de fundamental importância no mercado
internacional. Seu nome deriva da palavra alemã taler, moeda
mandada cunhar na Boêmia em 1517, com prata da mina de Saint Joachimsthal
(vale de São Joaquim), e que de início eram chamadas de Joachimstaler.
Lira.
O dinheiro italiano é um dos mais antigos em circulação. Seu nome vem do
latim libra, equivalente ao peso de 8 onças (1 onça = 30 g). A primeira
cunhagem foi ordenada por Carlos Magno, em 790. Naquela época tinha tanto
valor que era possível viver com uma lira por todo um ano. Depois esse
valor se foi depreciando enquanto o uso se estendia por toda a Itália.
Napoleão Bonaparte lá chegou, no início do século passado decidiu unificar
a moeda, pois existiam liras romanas, florentinas, vênetas, etc. Assim, em
1806 surge a primeira lira italiana, com o peso de 5 g de prata.
Franco.
Tem mais de 600 anos, pois foi em 1360 que o Rei João II, da França, fez
cunhar uma moeda que representava o soberano a cavalo e armado. Foi
chamada de franc a cheval, isto é, Franco a cavalo, por causa da inscrição
Francorum Rex (Rei dos Francos) que trazia gravada. Existiam também os
franc a pied, que representavam o rei a pé.
Rublo.
A primeira cunhagem de moedas metálicas na Rússia remonta ao século Xll.
Um século depois, foi adotada uma moeda de prata chamada rublo, nome
provavelmente derivado da palavra russa rubl (do verbo rubitj, cortar). De
fato, o antigo rublo era um pedaço de prata sem cunhagem, que servia para
o cálculo do valor das transações. A primeira cunhagem regular do rublo (o
chamado rublo-escudo) foi no século XVII.
Marco.
O nome da moeda alemã procede da palavra medieval marc, que significa
“sinal” (marco ou marca). Inicialmente foi uma unidade de peso, com o
valor de 8 onças. Nos fins do século X, o marco surge como moeda nos
países da Europa ocidental, especialmente na Inglaterra. Na Alemanha,
fala-se dele pela primeira vez num documento de 1088-1092, mas é muito
provável que tenha sido adotado antes disso. A partir do século XIII, o
dinheiro de ouro ou prata mais usado nos reinos germânicos foi o marco de
Colônia ou marco imperial.
Zloty.
Este é o nome da moeda polonesa. É único que faz referência ao ouro. Pois
a palavra significa literalmente dourado. Novo Conhecer - volume X – páginas 223/225 - Abril Cultural - 1977
Peça metálica
(ouro, prata. cobre e. atualmente. metais de pouco valor) cunhada pela
autoridade monetária de um país. cujo valor (seja intrínseco ou
convencionado) serve como medida para fixar o preço dos bens e como meio
de pagamento nos intercâmbios comerciais.
História
As primeiras
transações consistiam no intercâmbio de produtos (troca). posteriormente
apareceu uma unidade-medida de valor. Essa moeda não-metálica mudou
segundo os povos: grãos, cabeças de gado, sal, etc. A possibilidade de
deterioração fez com que se realizassem equivalências em peças metálicas
(ouro, prata. bronze. cobre), que se tornaram a nova unidade-medida de
valor. O valor provinha de seu peso e não de sua pureza nem forma. Mais
tarde imprimiu-se nos metais uma marca ou selo que garantia seu peso e
valor; foi o nascimento da moeda, Ao que parece, teve lugar nas colônias
gregas das ilhas Jônica Ásia Menor aproximadamente no século VII a.C e
propagou-se por todo o âmbito grego o padrão monetário do dracma.
Cada cidade tinha seu próprio sistema monetário. Nos territórios
asiáticos, o padrão monetário era o siclo. Na Sicília e no
sul da Itália era o nomos em unidade superior e a onça
a unidade inferior. Na Itália central utilizouse como padrão a libra
romana (327 g).
Durante o
Império romano. as moedas mas correntes foram e o aureus e o
quinária de ouro, o denárìo e o quinário
de prata e sestércio de cobre. O imperador Constantino
reformo o sistema monetário e emitiu o solidus (soldo). O
sistema monetário romano se estendeu no Império Bizantino e aos povos
germânicos. No tempo dos carolingios se centralizou a cunhagem e foram
abolidas as emissões em ouro no século X outorgo-se ás casas feudais o
privilégio da cunhagem, o que desequilibrou o mercado monetário. A
reativação comercial do século XIII promove a necessidade de criar moeda
solventes. Assim, Florença emitiu o florim de ouro, e Veneza
o ducado de ouro. Nos principados alemães se estendeu o
tálero. No final do século XV e no século XVI cunharam-se as
primeiras moedas de cobre. Mas o ouro não substituiu a prata como metal
monetário até o século XIX. Em 1816. a Inglaterra introduziu a moeda de
ouro, e seu exemplo foi seguido pela maioria dos Estados. Mas durante a
Primeira Guerra Mundial, quase todas as nações participantes tiveram de
abandonar o câmbio em ouro A moeda metálica em ouro e prata foi
substituída por papel moeda depois da Segunda Guerra Mundial tiveram as
tentativas a partir do acordo de Brentton Woods, de conseguir a livre
conversibilidade das diferentes moedas. Mediante um sistema de valorização
e desvalorização manteve-se a relação das diferentes moedas com o dólar
norte-americano, que nos países ocidentais tomou a posição de moeda base
substituiu o padrão-ouro.
Cunhagem da moeda.
Até fins da Idade média.
as moedas eram cunhadas a mão, com um troquel gravado. A cunhagem fazia-se
dando uma ou mais marteladas sobre o anverso. As primeiras máquinas de
cunhagem foram introduzidas no século XV. A partir do século XVII!
passou-se a trabalhar também o canto da moeda, para evitar que fosse
recortada.
Enciclopédia
Nosso Século - volume 8 - página 1519 - Visor - 2002 |