ORIGEM DOS NOMES DOS ESTADOS

Região norte

AMAZONAS - Quando em 1541 o espanhol Francisco Orellana explorava a região, sua expedição foi atacada por uma tribo indígena cujos guerreiros eram mulheres. Como os exploradores compararam essas índias às destemidas amazonas das lendas gregas, passaram a identificar por esse nome o rio em que navegavam, o que posteriormente foi transmitido à região, e depois ao Estado.

ACRE - Acredita-se que o nome tenha vindo de aquiri, modo errado de falar a palavra indígena uwákuru (rio verde), do dialeto Ipurinã, tribo que habitava a bacia do rio Purus, e com a qual os nativos denominavam um outro curso d’água da mesma região. Uma das versões registradas pela história é a de que o colonizador João Gabriel de Carvalho Melo em 1878, fez por escrito um pedido de mercadorias a determinado comerciante paraense de mercadorias, anotando como local de entrega a "boca do rio Aquiri". Só que o negociante não entendeu a letra de Melo, que parecia ter escrito algo como "acri" ou "agri", e as compras foram encaminhadas ao colonizador com o destino "rio acre".

AMAPÁ - A palavra Amapá é de origem indígena e vem da nação nuaruaque, ou aruaque - pertencente à mais extensa das famílias lingüísticas da América do Sul -, que habitava a região norte do Brasil ao tempo do seu descobrimento. Ela identifica uma arvore da família das Apocináceas, produtora de um fruto saboroso em formato de maçã, de cor roxa, que serve muitas vezes como parte da farmacopéia do mundo amazônico. De sua casca também se extrai um leite de aplicação no tratamento da asma, bronquite e afecções pulmonares.

PARÁ - A origem do nome Pará vem do termo Pa’ra, que significa rio-mar na língua indígena tupi-guarani. Era dessa forma que os índios denominavam o braço direito do rio Amazonas, engrossado com as águas do rio Tocantins, que o tornam tão vasto a ponto de não se poder ver a outra margem, mais parecendo um mar do que um rio. Ao chegarem à região, os portugueses deram primeiramente à nova terra o nome de Feliz Luzitânia, mais tarde substituído pelo de Grão-Pará (grande rio), para finalmente, se tornar apenas Pará.

RONDÔNIA - Formado por terras que antes pertenciam aos estados do Amazonas e Mato Grosso, o estado de Rondônia foi criado originalmente em 1943, como Território do Guaporé, nome do rio que é o marco divisório entre Brasil e Bolívia. A denominação atual foi dada em 17 de fevereiro de 1956, como homenagem ao grande sertanista marechal Cândido da Silva Rondon, desbravador dos sertões de Mato Grosso e da Amazônia. Em 1981, o Território de Rondônia passou a estado da federação.

RORAIMA - A origem do nome Roraima vem das palavras roro, rora, que no idioma indígena ianomâmi significa verde, mais ímã, que quer dizer serra, ou monte, for-mando, portanto, a expressão serra verde, que reflete o tipo de paisagem natural encontrada na região. O antigo território do Rio Branco foi transformado no atual estado de Roraima pelo artigo 14 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Brasileira, promulgada em 1988, sendo o período de 5 de outubro de 1988 a 31 de dezembro de 1990, considerado de transição do Território para o Estado. Roraima abriga parte da maior reserva indígena brasileira, a dos Ianomâmis (a outra fica no estado do Amazonas), com área maior que a do estado do Rio de Janeiro. e como ela é rica em ouro, pedras preciosas e minério, são comuns os conflitos com garimpeiros, aos quais os índios chamam de "comedores de terra".

TOCANTINS - O nome de um grupo indígena que teria habitado a região junto à foz do rio Tocantins. A palavra tupi significa "bico de tucano”. O estado foi criado por determinação da Constituição de 1988, a partir da divisão de Goiás em duas partes, mas a idéia de se constituir uma unidade autônoma na região data de 1821, quando Joaquim Teotônio Segurado chegou a proclamar um governo autônomo, logo reprimido. Na década de 1970 a proposta de formação do novo estado foi apresentada ao Congresso, chegou a ser aprovada em 1985, mas acabou vetada pelo então presidente da República, José Sarney

 

Região nordeste

ALAGOAS - Deriva dos numerosos lagos e lagoas que caracterizam o litoral alagoano. O acréscimo do “a” inicial, no caso, corresponde a uma figura gramatical denominada metaplasmo de prótese, ou seja, o acréscimo de um fonema (som da letra) ao início, meio ou fim da palavra.

BAHIA - Vem da baía de Todos os Santos, região onde uma esquadra portuguesa pilotada por Américo Vespúcio fundeou em 1º de novembro de 1501, dia em que os católicos festejam todos os santos. Referindo-se a este fato em carta que tratava de outra expedição, Vespúcio afirma que “porque tínhamos um regimento d’El Rei ordenando que, se qualquer dos navios se extraviasse da rota ou do seu capitão, fosse ter à terra descoberta (na viagem passada) a um ponto que pusemos o nome de baía de Todos os Santos”...Em 1534, quando foi iniciada a colonização da capitania, houve uma orientação para que estas fossem batizadas com nomes dos acidentes geográficos mais notáveis do território.

CEARÁ - Segundo a versão mais aceita o nome vem de "ciará" ou "siará", que na língua tupi significa "canto da jandaia", um tipo de papagaio pequeno e grasnador. A história registra que em 1535 a coroa portuguesa concedeu a Antônio Cardoso de Barros a capitania do Siará, mas ele nunca se importou em tomar posse dela. Em 1603, Pero Coelho de Souza obteve permissão para colonizar o Siará Grande, mas retirou-se da região em virtude de uma grande seca. Alguns anos depois, em 1619, Martins Soares Moreno tornou-se, por carta régia, senhor da capitania do Siará. Seu amor por uma índia serviu de tema para o romance Iracema, do escritor cearense José de Alencar.

MARANHÃO - Diversas hipóteses tentam explicar a origem desse nome, mas na verdade, ninguém sabe dizer qual é a verdadeira. Segundo alguns, os primeiros exploradores espanhóis teriam dado ao rio Amazonas a denominação de Marañon, para indicar, em castelhano, que ele não era o mar (mar+non), e esse vocábulo passou a identificar, também, a região que incluía o atual estado maranhense. Outra versão defende a tese de que as palavras mbara (mar) e nã (corrente), do idioma tupi, é que tenham influenciado a designação. Uma terceira explicação estaria em Mair-Anhangá, expressão tupi-guarani cujo significado é “espírito de mair”, nome que os indígenas brasileiros davam aos franceses que ali tentavam instalar uma colônia; além da que aceita a possível associação com o cajueiro, árvore típica da região conhecida como "marañón" em espanhol, e outras mais.

PARAÍBA - vem da junção do tupi “pa’ra” com “a’iba”, que significa ruim, impraticável para a navegação. O nome foi dado ao rio e depois ao estado. Em 1534 aconteceu um sério incidente na então capitania de Itamaracá, que ficou conhecido como "Tragédia de Tracunhaém". Nesse episódio os índios potiguares mataram todos os moradores de um engenho com o mesmo nome, em Pernambuco, e foi em conseqüência dele que D. João III, rei de Portugal, criou a capitania do Rio Paraíba, desmembrando-a da área pertencente à de Itamaracá.

PERNAMBUCO - vem do tupi-guarani “paranambuco”, junção de para’nã (rio caudaloso) e pu’ka (rebentar, furar), e seu significado é o de “buraco no mar”, pois os índios usavam o termo em relação aos navios que furavam a barreira de recifes. Alguns estudiosos, no entanto, afirmam que esse era a nome que os indígenas locais, na época do descobrimento, davam o pau-brasil. Outra explicação presente na “História de Pernambuco”, publicada no site Memorialpernambuco, diz que a palavra indígena Paranãpuka, que significa "buraco no mar", era a forma como os índios conheciam a foz do rio Santa Cruz, que separa a ilha de Itamaracá do continente, ao norte do Recife, tendo caminhado daí para suas formas primitivas Perñabuquo e Fernambouc, já denominando o porto do Recife e fazendo-se presente nos mapas portugueses.

PIAUÍ - Existem diversos estudos sobre a origem do nome Piauí, palavra indígena do idioma tupi, onde piau significa peixe e o y, rio, ou seja, “rio dos piaus”. A maioria desses trabalhos defende a tese de que ela foi derivada de um rio com essa mesma denominação, e que era passagem obrigatória dos caminhantes na época do desen-volvimento.

RIO GRANDE DO NORTE - Recebeu esse nome por conta do tamanho do rio Potengi. Em carta datada de 11 de março de 1535, D. João III, rei de Portugal, doou a João de Barros um quinhão de terra que tomou o nome de Capitania do Rio Grande, denominação que permaneceu sendo usada até meados do século 18, quando por haver outra capitania com o mesmo nome, na região sul do país, se tornou necessário diferenciá-las com a complementação Norte ou Sul, de acordo com a localização geográfica de cada uma delas.

SERGIPE - O nome Sergipe origina-se do tupi si’ri-i-pe que quer dizer "no rio dos siris", denominação primitiva do rio junto à barra da capitania,. tendo sido mais tar-de adotado Cirizipe ou Cerigipe, que quer dizer "ferrão de siri", nome de um dos cinco caciques que se opuseram ao domínio português. O nome do estado, antigamente, era Seregipe del Rei.

Fernando Kitzinger Dannemann