HOMEOPATIA: COMO SURGIU?

A homeopatia é um método terapêutico baseado no conceito de que os sintomas das doenças devem ser combatidos com medicamentos capazes de produzir os mesmos indícios no homem são. Quem pensou nisso foi um jovem médico alemão, Samuel Christian Friedrich Hahnemann (1755-1843), ao descobrir que os fenômenos provocados pelo quinino em um corpo saudável eram os mesmos que ele costumava curar. Essa constatação ocorreu em 1790, e levou o médico a criar a “lei dos similares” (similia similibus curantur), segundo a qual as doenças podem ser tratadas com drogas que produzam sintomas similares num estado de saúde, justamente o oposto da “lei dos contrários” (contraria contrariis curantur,  que significa “os contrários servem de remédio para seus contrários”), de Hipócrates (460-357 a.C.), considerado o “pai da Medicina”.

Essa história começou em 1789, quando Hahnemann traduzia para o alemão o livro Matéria Médica, de W. Cullen. Ele se deu conta de que discordava das conclusões apresentadas na obra e por isso estudou o assunto em profundidade, convencendo-se de que se a  administração das drogas em que pensava fosse feita nas menores doses possíveis, os medicamentos passariam a exercer sobre o indivíduo uma ação dinâmica idêntica à força vital, estimulando o organismo a ativar sua capacidade de cura. Surgiu daí o princípio de que diluições sucessivas no preparo dos remédios acabariam por tornar inócua a dose inicial, mesmo que fosse fortíssima. A exposição desse método foi feita no livro “Organon der Rationellen Keilkunde”, em 1810, no qual Hahnemann utilizou a expressão criada por ele - “homeopatia” -, uma junção das palavras gregas “homoios”, semelhante, e “pathos”, sofrimento.

A nova teoria pegou a classe médica de surpresa e por isso Hahnemann foi rotulado como charlatão. Além do mais, como os remédios que receitava eram fabricados por ele mesmo, os farmacêuticos uniram-se aos médicos e iniciaram acirrada campanha contra o inovador, que procurou se defender através da imprensa. Tudo em vão. Em 1821, hostilizado pelos colegas doutores, o homeopata deixou Leipzig e transferiu-se para Cöthen e depois para Paris, onde em 1833 um decreto legal lhe permitiu a prática da homeopatia, cuja base ele garantia ter estabelecido por inspiração de poderes celestiais. Na capital francesa o médico alemão obteve grande sucesso graças à sua consciência profissional e algumas curas importantes que realizou.

A doutora Glaci Ribeiro da Silva, médica em Porto Alegre, RS, publica na Gazeta do Racionalismo Cristão um artigo sobre a homeopatia. Diz ela, em certo trecho do seu trabalho escrito: Foi Hahnemann o criador dos termos homeopatia e alopatia para denominar os métodos de prescrever segundo as leis dos semelhantes ou dos contrários, respectivamente. Essas duas palavras vêm do grego: homoion, similar; alloion, diferente; e pathos, doença”.

“Hahnemann ficou muito intrigado com a sua descoberta de um poder curativo  aumentado com doses gradativamente menores, atenuadas, diluídas da substância ativa. A luz da lógica, isso parecia um completo absurdo! Daí ele ter encarado sua descoberta como uma revelação divina. Dando continuidade aos seus estudos, ele verificou ainda que, além da atenuação, os poderes medicinais aumentavam também com a trituração e a sucussão (do latim, sucussione, ação de sacudir). Ao conjunto desses processos Hahnemann chamou "potencialização" isto é, tornar uma substância ativa mais potente para a cura e menos potente para danificar o organismo”.

“O que empiricamente Hahnemann deduzira é conhecida atualmente como a ‘Lei de Arnt-Schultz’ que, na época ainda não havia sido definida. Essa lei diz o seguinte: ‘A célula reage aos estímulos que recebe de acordo com a intensidade deles: os de pequena intensidade estimulam a atividade vital; os de grande intensidade, a inibem e os maiores, a destroem”. Os estímulos mencionados nessa lei podem ser de vários tipos; no caso dos medicamentos, eles são químicos’.

‘O fundador da moderna medicina experimental - Claude Bernard (1813-1878) - já tinha ciência dessa lei da inversão do efeito de cura, porém, foi Hahnemann em 1796, bem antes portanto do nascimento de Claude Bernard, quem a observou e desenvolveu a metodologia para usá-la’.

Mais adiante ela informa: “Para os críticos, os remédios homeopáticos são água pura e funcionam somente como um placebo. Para explicar tal fato, os defensores da homeopatia alegam que a água é capaz de memorizar aquilo que havia solubilizado. Daí a expressão "Memória da água". (...) Por outro lado, ”O médico George Vithoulkas nasceu na Grécia (Atenas) em 1932 e, atualmente, mora na ilha grega de Alonissos. Ele começou a estudar homeopatia na África do Sul e deu continuidade aos seus estudos em várias instituições homeopáticas da Índia. Em 1967, ele começou a dar aulas de Medicina Homeopática aos médicos atenienses, naquele tempo um assunto quase desconhecido na Grécia. Em 1996, pelos seus esforços para elevar a homeopatia ao nível de uma verdadeira ciência, ele recebeu do Parlamento Sueco o Prêmio Nobel de Medicina Alternativa”.

E finaliza da seguinte forma: “Quem sabe um dia elas (idéias e hipóteses) poderão ser testadas experimentalmente por cientistas de mente aberta e que não dêem ouvidos ao vozerio raivoso das poderosas indústrias farmacêuticas, a maior inimiga de terapias alternativas simples, praticamente isentas de efeitos colaterais e onde o usuário não precisa gastar fortunas para cuidar de sua saúde”.

Fernando Kitzinger Dannemann